Manda jobs

Novembro mal começou, estamos em pleno dia 7 e eu já abri uma loja e cortei o cabelo.


Eu sinceramente não sei onde me colocar no mundo porque não tô desempregada, mas empregada é o que eu não tô.

A lojinha nasceu da necessidade de pagar os boletos e como tudo na vida eu levei ela à sério demais.

Coloquei minhas fotos em promoção e até voltei para o país facebook com duas páginas de uma vez.

Tudo isso em sete dias.

E minha câmera de gravar está em estado crítico do mais completo nada, será o mercúrio retrógrado? Só sei que com ela respirando por aparelhos e eu sem paciência pro rolê que é gravar pelo celular, bem capaz que o canal adormeça mais uma vez, mas não criemos pânico hoje, só amanhã.


Eu odeio pra caramba horário de verão.



Eu estou impressionada com a minha capacidade de não surtar, mesmo que aparentemente minha vida esteja pegando fogo nesse momento. Mas confesso que algumas crises de ansiedade apareceram, mas nada que eu já não tivesse lidado antes, então estou a cada dia mais perto da monja do que do ganso com a cabeça em chamas.

Tudo isso em sete dias.

O Ateliê Sintonia ganhou esse nome graças à uma conversa com a minha psicóloga onde ela disse que o mais importante é a gente estar em sintonia - com a gente, principalmente, com os outros, com o mundo lá fora, o bordão, "decore em sintonia". São, no geral, quadros. Pintados em papel ou tela. E fotografia.

 pag no face

Eu que sempre odiei o país Facebook e fingia que minha página de fotografia não existia (porque tu é obrigada a abrir uma page quando abre uma conta comercial no Instagram), agora tenho outra página de fotografia... mas sinceramente eu nunca estive tão confiante de que estou fazendo a coisa certa, com tudo. Finalmente.

A sensação de poder dizer que sou fotógrafa, tenho uma loja e no meu perfil diz que sou proprietária de uma coisa, parece que não é mais o mundo das ideias de Platão. É real. É tão real quanto poderia ser, e eu estou muito feliz por mais que não há garantia nenhuma de que vai dar certo, porque na verdade, pra mim, já deu.
Hoje eu tenho a segurança de me chamar de escritora, fotógrafa, documentarista, fotojornalista, e principalmente, artista. E mais do que nunca os aprendizados que tive com a Amanda Palmer estão todos os dias sendo colocados em prática. Estou pedindo as rosquinhas. Desde o primeiro dia do mês foi tudo o que eu fiz, pedir, e sem esperar que fosse ter algo em troca, mas no mesmo dia eu recebi minha primeira encomenda e esse foi o gás que me mantém pensando que vai dar tudo certo.

E veja bem, dar certo não quer dizer que vai ser fácil.

No mais, #prayforoly;

Acordei com o pé esquerdo


Eu tenho 24 anos, foi a terceira vez que votei para presidente, foi o primeiro ano que acordei para a política.

A primeira vez foi em 2010, quando Dilma Rousseff se elegeu com 56,05% dos votos, e eu estava ali no meio. Eu não sabia quem ela era, só sabia que ela era mulher, e eu estava sendo resistência sem nem saber o que era isso.

A segunda vez foi em 2014, Dilma se reelegeu. Nesse ano eu flertei com Luciana Genro do PSOL e até cogitei não votar na, na época, atual presidenta. Em 2014 eu tentei entender a política, eu li propostas, mas era tudo muito confuso e optei pelo mais fácil, votar em quem já estava no poder, continuei votando PT. E continuei sendo resistência sem saber. Eu era a pessoa que esbravejava que o voto era secreto, que ficava bem no meio da tabela com medo de ir para qualquer lado, tudo parecia extremo demais. Eu pensava só em mim.

Eu não gritei quando o Gigante acordou e não fui para as ruas pelos 0,20 centavos, mas então veio o golpe — Michel Temer assumiu a presidência dia 12 de maio de 2016. Ainda assim tinha a ver comigo. Como assim a presidenta que eu elegi foi retirada assim? Eu era manifestante de internet. Indignada, mas calada. Acompanhava do canto, ainda ali no meio, sem querer cair para nenhum dos lados.

“Me dei conta de que precisava acordar para a política um pouco depois das eleições de 2014. No primeiro turno eu assisti alguns debates e escolhi a Luciana Genro como melhor opção, no segundo turno eu votei nulo, sem saber muito o motivo.
Em 2016 foi uma reviravolta e o impeachment da Dilma me fez perceber o quão importante era participar e entender melhor a política e teve um momento na votação do impeachment que me fez até chorar de desespero, esse momento foi o qual o Bolsonaro homenageou o Ustra, depois disso eu comecei a pesquisar mais sobre política, fiquei realmente mais atenta às coisas que acontecem à nossa volta. Comecei então a quebrar esse discurso de que “política não se discute” e comecei a militar com as pessoas ao meu redor e com quem entendia um pouco mais do assunto.
Esse ano eu escolhi cada um dos meus candidatos, não anulei nenhum e nem votei em branco, e ajudei amigos e familiares a fazer o mesmo. A política interfere diretamente na nossa vida e por isso eu acordei, e hoje luto pela democracia.”

— Relato autorizado por Jessica Meiry

Carlos Alberto Brilhante Ustra

Ou simplesmente “Ustra”.

Meu primeiro contato com esse nome não foi com Jair Bolsonaro o homenageando na câmara, foi em um livro de fantasia de Renata Ventura.

A história de “A Arma Escarlate”, e logo após, sua continuação, “A Comissão Chapeleira”, trazem um Brasil real, porém permeado pela magia, mas mesmo nesse mundo mágico nossos defeitos como sociedade estão presentes ali e um deles foi o Golpe Militar de 1964 no segundo livro.

Quando fiquei sabendo da notícia onde Jair homenageava esse torturador e que Dilma havia sido presa na época da ditadura, eu só liguei os pontos, e se eu não olhava para Jair Messias Bolsonaro pois achava que ele não tinha chances de ser o próximo presidente, depois desse dia meus olhos ficaram super atentos à qualquer um de seus movimentos e palavras, pronta para defender quem quer que ele ou seus seguidores estivessem atacando. Finalmente não era mais sobre mim, era sobre todos.

2018

E então chegaram as eleições 2018 e eu conheci uma tal de Manuela. De cara fiquei assustada com a bandeira vermelha do PCdoB, fiquei com o pé bem lá atrás olhando para o símbolo da União Soviética e comunismo parecia uma palavra grande e feia, mas mesmo com essas amarras decidi ouvir o que Manuela tinha à falar. Decidi por ela ser mulher, mas não só por isso dessa vez. Decidi pois vi as notícias onde ela era interrompida e fiquei com raiva, não queriam deixa-la falar e por isso mesmo eu queria ouvir. E ela virou minha candidata imediatamente.

Foi quando os muros do voto secreto caíram e eu dei meu primeiro passo à esquerda. Com Ela conheci a esquerda do jeito que a esquerda é, não como era pintada em comparação aos outros países governados pela esquerda. Eu que sempre fui curiosa para tentar entender as coisas, encontrei alguém que pudesse me explicar de um jeito simples e mergulhei.

Esse ano é a terceira vez que eu voto e não achei que fosse virar militante, que fosse levantar bandeira, que fosse entender a política, que fosse lutar, que fosse para a guerrilha, que fosse parar no fotojornalismo, nada disso, mas acordei e tenho muito que aprender para aprender a dialogar com quem estava como eu, com os olhos vendados. Eu achava resistência coisa de filme, mas percebi que nós somos a resistência, o tempo todo. Somos a resistência quando recebemos uma bolsa do ProUni, quando pegamos o diploma, quando simplesmente saímos na rua para viver, o Brasil precisa que continuemos sendo depois de amanhã.

Eu sou mulher, negra, LGBT+ e bolsista. Faço parte de todas as minorias que a oposição quer destruir, e já começou a destruir. Manuela sempre foi minha opção, não o PT. Meu partido, veja só, descobri ser o PSOL e foi neles que depositei metade dos meus votos no primeiro turno, eu acordei e acordei de esquerda. Hoje eu visto o casaco vermelho sem medo nenhum.

Era o que eu gostaria de dizer.

Era pois hoje saem mais fascistas do que homossexuais do armário, tenho medo de usar meu tênis favorito porque ele é vermelho, tenho medo de usar um adesivo com o número do meu candidato, tenho medo de falar sobre política em qualquer lugar, mas estou lutando para superar esse medo pois não podemos nos dar ao luxo de senti-lo, principalmente nós que acabamos de acordar, vidas estão em jogo. A democracia esta em jogo.

Democracia

Dez letras. Cinco sílabas. Uma jovem mulher que mal passou dos 30. Ela não pode morrer assim, de morte morrida. Então precisamos resistir, juntas e juntos, porque só a esperança é a única coisa mais forte do que o medo, e enquanto uma formiga tiver forças para ficar de pé, outras se sentirão inspiradas, e juntas vamos vencer. E eu quero estar aqui para contar que vencemos. Juntos.

“A revolução é que nem uma bicicleta, se as rodas não giram, ela cai.” — Persépolis

Continuemos pedalando, camaradas.

O que ninguém te conta sobre o sonho

Ultimamente tem aparecido uns relatos na internet de gente que "largou tudo" pra viver do sonho. É um conceito muito bonito... mas que não funciona na prática pra quase ninguém. 

Pro cara que é capaz de comprar um MacBook sem pensar no que ele está deixando de lado com essa compra, pro cara que não compra uma marca suspeita de computador porque era a que cabia no orçamento - e às vezes nem cabia. Pr'aquele cara que já chega mandando uma câmera de 5 mil reais junto com uma lente fixa quase do mesmo valor. Não se aplica.

Não é desmerecer o trabalho de ninguém, mas é mostrar a realidade quando você sempre amou demais uma coisa e mesmo com esses perrengues, lutou anos e anos pra alguém que não suou 0,5 do seu suor fazer discurso de como empreender é bom.

De como temos que lutar pelos nossos sonhos. 

Empreender é bom pra quem tem apoio nesse - literalmente - negócio. Pra quem já conhecia do assunto. Empreender é bom quando você pode investir em cursos, quando você não está encarando esse monstro no escuro. Empreender é bom quando você não tem que desdobrar suas 24 horas pra dar conta do trabalho que paga seu sonho. 

Já cuidou de você hoje?

Às vezes nos distraímos tanto com todas as nossas prioridades que esquecemos do mais importante: cuidar do corpo e da alma é tão necessário quanto ir bem nas provas da faculdade, pois afinal, sem esse corpo e alma, nem faculdade tem. Tive que fazer uma lista para lembrar eu tenho que estar no topo.

Manter o quarto e a vida organizados, acender aquele incenso gostoso, organizar os livros por cor. Já faz um tempão que comecei esse texto e só agora consegui finalizar, porque finalmente consegui me cuidar.

Dividi em áreas da vida como eu, faculdade, fotografia, blog e trabalho. Nessa ordem. Amo o bloguinho, mas ele é prioridade 4. Eu estou distribuída em lazer, saúde mental e física, e em lazer tá ali o blog e a fotografia juntos. Sair com os amigos, ler bons livros, escrever, gravar, tudo isso me faz bem, e às vezes esqueço, mas o principal aqui é só manter o quarto organizado, já que meu quarto é meu templo. Se ele estiver arrumado, tá tudo girando.

A segunda área é a faculdade, e eu preciso basicamente fazer tudo com antecedência, e só. Pra isso tenho usado o Trello e observando o momento do dia que ando me concentrando mais. A terceira área é fotografia, que é sempre ter foto pra postar. Nesse meio tempo trabalhar as coisas chatas que vem junto com ser artista: marketing, finanças...

A quarta área é o blog, eu só queria conseguir postar de 3 em 3 dias. Esse mês tenho fingido muito bem postando um dia depois com a data certa (rsrsrsr), mas eu gosto de ter essa frequência, gosto de entrar e ver que escrevi sobre uma coisa bacana, participar das blogagens coletivas, e o blog é uma terapia - e junto com ele vem essa onda de YouTube que tenho brincado às vezes.

E por fim a última área, aquela que sinceramente eu não gostaria de estar lidando e que a única coisa que faço em relação a ela é existir: o trabalho. Aquele que paga as contas, a faculdade, a câmera, o computador, as idas ao cinema, enfim, tudo.

Esse mês principalmente eu me esgotei mais uma vez e dessa vez estou buscando alternativas para uma vida mais saudável em relação ao trabalho. Eu não quero mais, é fato, e tudo que tinha planejado para esse segundo semestre de 2018 acabou caindo por terra por causa desse esgotamento, mas eu sabia que um dia eu chegar nesse momento de dizer chega, e enquanto a rescisão não vem, eu faço até onde dá, às vezes nem até onde dá. Minha sanidade é mais importante do que o pouco mais de um salário mínimo no fim do mês. Mandem jobs. De foto, de escrita... só mandem jobs pra essa universitária aqui.

Pertencer

ensee

Eu tenho um portfólio com fotos que fiz há um tempo.

Por meia hora eu quase entrei numa crise existencial de que eu não pertencia a esse grupo de pessoas que pendura uma câmera no pescoço e sai por aí clicando. Por meia hora eu achei que eu era o primo com a câmera. 

Mas por que?

Um mês depois, eu acho que tenho a resposta. Desde o começo eu sempre amei (muito) o fotojornalismo, mas não aquelas notícias de guerra ou perseguições da polícia. Eu sempre amei a parte histórica das coisas e as pessoas da história. O movimento hippie dos anos 60 por exemplo. Gente alternativa, gente autêntica que não liga para a opinião da sociedade sobre o que veste, como se porta, independente da cor do cabelo, são só elas mesmas, e era disso que eu sentia falta ao fotografar. Fotografar, no geral, para mim, é sempre maravilhoso, mas eu sentia falta de estar fazendo história. Mostrar que essas pessoas existem, fora do padrão estético.

São essas mesmas pessoas, normalmente, que odeiam ser fotografadas e não quero forçar a barra, então eu só sento e aguardo... e às vezes crio coragem e mando uma mensagem no Instagram.

Mas já que estamos aqui...

Se houver alguma pessoa alternativa de Uberlândia e região por aqui me lendo (Araguari por enquanto pois o orçamento aqui é curto), quero recomeçar meu portfólio e adoraria te fotografar, se tiver interesse manda um e-mail para foto.ludimila@gmail.com e vamos conversando!

entrego confio aceito agradeço

Ou, como 21 dias de ioga me fizeram uma pessoa melhor.

No dia 31 de dezembro de 2017 eu decidi começar - ou recomeçar - na ioga. Não pensando em exercícios ou paz interior, pensando apenas que eu precisava me mexer. 

Hoje eu respiro melhor, não tenho mais medo de subir escadas sem o corrimão pois tenho equilíbrio, e não fico sem ar depois de alguns passos, me alimento melhor e percebi que menos é mais, em tudo, menos é mais. 

Então tiveram os benefícios da mente, e é claro que não sou perfeita nem atingi o melhor de mim, estou evoluindo a todo momento. Quando estou prestes a ter um colapso eu me lembro que não preciso daquilo - isso me faz realmente mal ou são memórias do passado que me enganam e fazem isso parecer a pior coisa do mundo? -, tudo bem ficar mal, nada bem ficar mal para sempre. Eu sou uma pessoa completa não por ter outras pessoas, mas por ter a mim mesma e estar comigo. Claro que na teoria sempre é mais fácil, mas então me lembro das coisas boas que andam ao me lado e me fazem ser quem eu sou, que me tornaram essa pessoa, que estão por vir. 

Aprendi a manter a mente quieta - enquanto ela fala fala fala, eu deixo tudo ir fluir partir.
Aprendi a manter a espinha ereta - o que faz muito bem para a coluna e convenhamos, a gente fica muito mais bonito. 
Aprendi a manter o coração tranquilo - entrego, confio, aceito, agradeço. 

Por que eu blogo?

Domingos no geral são dias cheios de ócio.

Acordei cedo, fui pro tapete me alongar e respirar como todo dia desde os últimos nove dias e deixei a cama me engolir pelas outras 15 horas, e durante essas 15 horas comecei a pensar que o blog está muito fofo, mas que apesar de amar esse tema amarelinho-marrom e os girassóis apagados no topo, ele não vai ficar assim por muito tempo, porque eu me conheço, se tem uma coisa que eu sou é mutável, no melhor dos termos. Pelo menos em questão do blog isso é bastante perceptível, vide tudo o que aconteceu nos últimos 7 anos e meio.

Eu comprei um domínio, e usei meu próprio nome, pois sei que posso tirar "sob o sol..." dali a qualquer momento. Comprei um domínio porque se já passamos pela crise dos três, dos cinco e dos sete anos, é porque é pra ser. É porque não vou parar de escrever. E mesmo que acontece a próxima crise nos dez anos de blog, tudo bem também.

Mas por que eu blogo?

Porque lá em 2010 eu estava assistindo TV e MariMoon disse que seria bacana os adolescentes usarem blogs como diário, adotei a ideia e resolvi tentar, mas não é por isso que blogo. Eu poderia ter parado na primeira semana se fosse só por isso. Eu blogo porque escrever, para mim, é mais do que juntar um monte de letras e formar palavras, ou juntar um monte de palavras e formar frases de efeito, escrever, para mim, sempre foi escape, entendimento, me entender, compreender minhas emoções, descontar na folha de papel, ou na tela do computador tudo o que eu não podia ou queria falar pessoalmente. O que seria ignorado pelas pessoas a minha volta, o que eu tinha medo de dizer, eu escrevia.

Os motivos, assim como eu, foram mudando. Já escrevi sobre livros, hoje já não gosto mais. Quem sabe amanhã eles voltem. Já escrevi sobre filmes, hoje converso sobre eles sem medo de contar demais ou revelar a reviravolta emocionante. Eu nunca parei de escrever sobre mim. Minha vida, minhas experiências, meus medos, minhas vontades, minhas angústias e ansiedades. Eu blogo porque blogar me proporcionou conhecer pessoas incríveis que também blogam e eu carrego comigo no meu feed do Instagram, adicionadas no Facebook ou simplesmente naquele cantinho do coração.

Eu blogo porque eu gosto de conversar com as pessoas, mas faço isso melhor por meio das palavras escritas do que pelas ditas em voz alta.

camis - isa - loma 

2017

Chegou ela, a tão aguardada retrospectiva de 2017. Sinceramente, não sei o que escrever aqui. 2017 não foi um ano de coisas, foi de momentos, experiências, vivências, e tudo o que acontece dentro da gente. 

O ano pra mim começou de um jeito que prefiro evitar relembrar, foram tempos difíceis, os dois primeiros meses são um borrão atrás de tantas lágrimas e marcas na lente do óculos. Foi só em março que parou de chover - um pouco - e resolvi me permitir, abri as asas, tatuei minhas pombinhas (não são pombinhas), e o Loki entrou na família. As férias ajudaram. Abril fotografei e fui fotografada, e fui reconhecida no trabalho, e quero ser aquela gerente quando crescer. Em maio voltei pro casulo, mas fiquei por lá pouco tempo, com a chegada do inverno (curioso como saí do casulo nos meses da entrada do outono e do inverno) em junho, fiz até bastante coisa - boa e ruim. As ruins a gente tira de lição. Virei modelo de make e quero de novo. Caí de patins e ainda quero um patins pra chamar de meu. Quatro rodas de preferência. 


Julho, meu mês, pintei o cabelo de rosa, fiz uma limpeza de pele maravilhosa, comprei o domínio do blog e os girassóis chegaram. Agosto foi um mês para esquecer, tanto no trabalho quanto vida pessoal, apenas não. Literalmente o mês do desgosto, mas aí setembrou. Setembro chegou preparado pra atacar em plena sexta-feira, entrei de férias pela segunda vez no ano (sim!) e viajei sozinha para a belíssima Florianópolis. Agora toda vez que ouço You and I, da Lady Gaga me imagino cantando pra Floripa. Teve praia em Santa Catarina, teve Starbucks em Campinas/SP, teve Subway caríssimo no GRU, teve Virgina Woolf me acompanhando no avião, teve uma moça incrível me dando dicas de primeira viagem, teve o atendimento impecável da Azul Linhas Aéreas, teve diário escrito à mão, e teve minha primeira percepção de vida adulta comendo brócolis e gostando.

O último trimestre voou. Em outubro eu permaneci com ares catarinenses e fui em vários rolês legais, teve Banda Uó, teatro e clube do livro. Novembro foi quase um agosto², no trabalho a vontade de sair correndo gritando com os braços pro alto balançando foi grande. Porém graças à black fraude troquei de notebook e estou ultra feliz (afinal é um ultrabook - perdoa o trocadilho e não desiste de mim).

Esse ano não assisti ao Quebra-Nozes, meu clima natalino estava à nível de Grinch, virei adepta de vinhos com massas, incensos cheirosos para meditação, leituras mágicas e yoga (fiz só uma aula, hoje, porém temos tapetinho e vida saudável agora, migs). Em dezembro eu aprendi a pedir perdão. Fiz muita merda é verdade, e minhas únicas promessas são não repeti-las.


Gravei um vídeo breve de um resumão do ano, meu 2017 em 4 minutos e estou orando em todas as religiões pra não levar strike do youtube por causa do instrumental de Malibu, da Miley Cyrus, que reencontrei esse ano. Esse vídeo tem um pouquinho de tudo que amo e amei em 2017. O melhor livro do ano foi definitivamente Um teto todo seu, de Virginia Woolf. O melhor filme do ano foi Mulher Maravilha, e já disse que me arrependo de não ter ido ao cinema?

Faltam 15 minutos para a virada do ano e como diz minha camiseta motivacional da Renner: o melhor está por vir! Até daqui a pouco :)

Elas


Às vezes o medo se torna ódio, até ser capaz de ser transformado em indiferença. Por enquanto, eu tenho ódio.

Eu não consigo andar sozinha no meu bairro. Eu não consigo andar sozinha no meu próprio bairro. Seja dia ou seja noite. Eu não consigo andar sozinha. Eu tento, juro que eu tento, mas já sofro por antecedência e só por estar sozinha eu já estou suando, tremendo, então começo a correr como se a minha vida dependesse disso. Eu corro o mais rápido que posso, olho para todos os lados tentando prever de qual lado terei que me defender. 

A chave de casa vira uma arma. 

Minhas pernas já bambas de cansaço e meu coração que esta confuso se deve continuar bombeando nessa velocidade quase me fazem desmaiar. Chegar em casa é um alívio. Respiro fundo. Olho em volta. Nada aconteceu. Mas o medo é tão real na hora que parece que Elas vão aparecer a qualquer momento. Já estou de volta em casa, mas estou suando e tremendo. Elas deixaram uma marca que talvez nunca se apague. 

Eu não deveria deixar que Elas controlem quando ou onde vou sair. Eu não devia viver a favor d'Elas. "Elas" não são ninguém, ninguém de importante. Elas foram apenas duas pessoas que passaram pela minha vida. Eu estava no lugar errado, na hora errada. Nada que vá acontecer de novo. Elas não são capazes de me alcançar. Elas me atingem, mas não quero deixar que Elas me atinjam, não mais. Preciso voltar a viver. 

Mesmo que eu continue suando, mesmo com todo o corpo tremendo, vou respirar fundo, encará-las de frente, não vou mais fugir. Eu sou a letra maiúscula. Elas não são mais nada. Vou simplesmente vê-las queimar na minha memória.

Não acho errado sentir ódio de alguém que me fez passar por isso. No fundo eu gostaria sim de fazer justiça com as minhas próprias mãos. Não sei suas histórias e nem quero saber. Na vida todos nós somos capazes de fazer escolhas e se a escolha delas foi se tornar esses Ladrõezinhos de Merda™, só posso fazer justiça com meus dedos. Ninguém merece ter um arma apontada pro rosto. Ninguém merece estar feliz voltando do trabalho no mesmo horário, como sempre fez nos últimos 4 anos e acontecer uma coisa dessa. Elas não merecem compaixão, nem serem ouvidas. Todos eles merecem apodrecer na cadeia onde é seu lugar.

Somos menos que um grão de areia


Somos menos que um grão de areia, menos ainda que poeira estrelar. Não somos nada perto dos desastres naturais. Uma rajada mais forte de vento nos leva embora para sempre. E ainda brincamos com a natureza. A desafiamos. Reclamamos do calor, derrubamos árvores. Reclamamos de inundações e desabamentos, mas entupimos nossos esgotos com lixo. Então esses desastres maiores e incontroláveis vêm até nós como forma de dizer: "eu avisei". 

Não acabamos com eles, eles é que acabam com a gente. Mais que destruir nossas casas, destroem nossa vida e às vezes até levam nossa vida com eles. Quando somos noticiados de que eles estão chegando tudo que podemos fazer é nos esconder e orar, para seja lá qual for seu deus, ou nem orar se você não tiver um. Não temos poder. Não vivemos, tentamos só sobreviver por algumas horas, alguns dias, alguns meses. 

"Vem que o Brasil não tem vulcão. Vem, aqui não tem terremoto."

Podemos agradecer? Ignorar? Ter compaixão? Se importar? Mandar boas vibrações de que todos no final estarão sãos e salvos? 

Eu não sei. 

"Feche seus olhos, está anoitecendo, você ficará bem, nada pode te machucar agora..."

Você e eu ficaremos bem...

Quem é você?


Você é uma pessoa mais do dia ou da noite? Da noite agitada ou solitária? O que você prefere? Ficar até de madrugada vendo essa série que você se rendeu a assistir ou ir para um lugar que você não quer e acabar quase quebrando o pé? a dignidade? o coração de alguém? Quem são seus amigos? os de verdade, os que te conhecem até com os olhos fechados, os que nem precisam te olhar para saber que você não esta bem, os que logo te dão um abraço e te fazem melhorar instantaneamente. Quais são suas escolhas? Viver uma vida inventada para se encaixar ou viver sua própria vida sem se importar?

Não são as perguntas mais difíceis do mundo, e muito menos as sem resposta. Depois que você passa a se conhecer, você não consegue mais fingir ser outra pessoa. Depois que você acorda do transe, você vê o tempo que poderia ter gastado com outras coisas, outras pessoas, outras experiências. Não discordo que somos o que vivemos, e com os erros aprendemos. Claro que aprendi. Para nunca mais repetir. Às vezes é difícil viver num mundo onde todos que se parecem com você, parecem estar presos no passado, ou num livro, ou num livro sobre o passado, mas com um olhar mais aguçado você consegue notar quem na vida real é um pouco ou muito da pessoa naquele livro. E você só agradece por essa pessoa existir.

Hoje sou a pessoa que não quer pensar muito, só quer escrever. Escrever de coração, de alma, o que viver a ponta dos dedos, mesmo que sem sentido, escrever. Poesia, prosa, contos, crônicas, novelas, best-sellers. Só escrever. Escrever quem eu sou, escrever quem quero ser. Apenas escrever.

*Infelizmente perdi o nome de quem fez essa imagem

Queijo me faz feliz

não me pertence

Você já ficou cansado, mas tão cansado, mas tão cansado a ponto de não conseguir respirar. Esgotado, podado, sugado. Totalmente largado, sozinho, sem força alguma, mas mesmo assim se obrigou a levantar e continuar lutando mesmo com lágrimas nos olhos, mesmo com todos a sua volta te julgando. Você não tem vergonha de mostrar seus sentimentos, não mais, não quando eles são quase tudo o que você ainda consegue tocar. Você não vê onde se segurar, tudo parece fugir das suas mãos, então sua escolha é se agarrar aos sentimentos mesmo que lhe digam para ser "cabeça". Você se sente um flor morta. Quase todas as suas pétalas já caíram. Você está feio aos olhos de todos, mas o mais triste é estar feio a seus próprios olhos. Você luta para acreditar em si mesmo e fica repetindo que é possível. Vai dar certo, você acredita nisso, você luta por isso, mas seus braços estão cansados, suas pernas fraquejam, sua voz já não sai no mesmo tom, então num último sopro de vida você se arrasta como se sua vida dependesse disso, e talvez dependa. Você já não sente fome, quando sente, é fome demais. Você está cansado, mas já não consegue dormir. Quando dorme, não dorme bem. Não quer acordar. Quando acorda, não quer sair da cama. É obrigado a viver. Quando vive quer estar morto. E no fim, depois de tanta luta, tanto sangue e tando suor percebe que não precisava de tanto esforço, Era inverno. As coisas morrem. Mas voltam a surgir na outra estação. 

Eu não quero ninguém

"Você tem que conhecer gente nova mimimimimi"
Toda vez que inventam que preciso-me-envolver-para-superar tenho um início de um ranço. Eu não preciso superar pois não há o que ser superado, eu não quero me envolver pois estou muito bem comigo mesma, obrigada. Meu momento atual esta perfeito em todas as áreas da vida. Eu não preciso de um relacionamento, trocar de emprego, comprar coisas à esmo. Eu estou usando todos os meus recursos em prol de uma única causa: eu mesma. Pintei o cabelo, cuidei da pele, comprei coisas que precisava sem ficar pensando que poderia usar o dinheiro para outra coisa, pois eu realmente precisava daquelas coisas. Estou fazendo uma limpeza física e espiritual ao meu redor. Então não preciso de ninguém agora, além de eu mesma.

As pessoas veem um problema muito grande em ser amigo do ex, o que acontece é que diferente da maioria, nós não somos ex-namorados, somos amigos desde o começo e decidimos continuar assim, então por mais que a torcida seja grande para nos afastarmos, eu não vou afastar uma pessoa tão importante assim da minha vida. Nossas escolhas cabem a nós e como disse Tati quebra barraco: se gostou bate palma, se não gostou, paciência. Nós não somos mais maduros ou elevados espiritualmente por conseguir conviver um com o outro sem ódio, nós apenas somos nós mesmos. Somos sinceros. Temos uma relação na base da honestidade. Então não tem ninguém se machucando, ninguém precisando superar. 

Eu não querer conhecer gente nova não quer dizer que estou criando esperanças, ou esperando que um dia voltemos, eu só quero me curtir, brincar de empreendedorismo e ver no que dá, cuidar de mim sem que alguém precise dizer que tenho que me cuidar, ficar jogada na cama de pijama o dia todo na Netflix assistindo Grey's Anatomy. Eu não quero ficar com ninguém, namorar ninguém, lidar com ninguém. Eu estou bem comigo, e é isso que importa.

Afinal de contas, amor próprio é tudo.

"Posso ouvir um 'amém'?" - AMÉM RUPAUL

Respeita minha arte


- Leva sua câmera?
- Nossa, mas tá caro.
- São só umas fotinhas.
- Eu tenho um primo que tem câmera, ele faz pra mim.
- Qualquer um pode ser fotógrafo.
- É só apertar um botão.
- Eu mesmo tiro com o celular então.
- Ah, desculpa, mudei a data e não te avisei.
- É só um passatempo, né?
- Vai passar fome.
- Foto não dá dinheiro.
- Mas você trabalha com o que além de tirar essas fotos?
- O mercado já tá saturado.
- Seu primo já se formou e você o dia inteiro nesse computador.
- Curso pra quê? É só apontar e apertar.
- Gastando dinheiro com isso? Não vai ter retorno.
- Vamos fazer um ensaio sim, vou ver e te falo.
- Mas fulano faz assim.
- Essa pose tá na moda.
- Não precisa editar pra ficar mais caro, edito depois.
- Oi, que bom que você veio, aqui minha câmera pra você tirar umas fotos da festa.

Cabelo liso não sou eu


Hoje, depois de muito tempo, alisei o cabelo.

Cada mecha que perdia seu respectivo cacho me remetia há uma adolescência que foi deixada para trás. Cabelo liso sou eu aos 14 anos decidindo que fazer uma progressiva era o melhor, porque eu tinha cabelo ruim. Cabelo liso sou sendo chamada de Cleópatra pelos pirralhos da oitava série. Me chame de Cleópatra hoje, a rainha mais foda de todas. Cabelo liso não sou eu pois cabelo liso me lembra prisão, esconder minha identidade, cabelo liso me lembra a pior época da minha vida. Eu sou cabelo cacheado, expressão, liberdade. Não me podem o poder de dizer quem eu sou.

Me sinto estranha de cabelo liso, já não reconheço mais aquela garota que me olha de volta no espelho. Não sei mais lidar com esse lado que durou uns bons seis anos. Sou outra pessoa hoje em dia. E pode ser que eu consiga me acostumar de novo no meio desses fios lisos, mas hoje prefiro ser engolida pelos cachos, do jeitinho deles. Quando a gente não cabe mais na gente, a gente tem que mudar - e foi  o que aconteceu em setembro de 2014.


Seja fotografado por alguém

Não digo isso simplesmente por ser uma das coisas que mais amo fazer, ser fotografado por alguém, seja profissional ou um amigo que se dispõe a aprender um pouco da câmera, acaba ajudando a levantar uma autoestima que não estava das melhores há algum tempo, você sorri, se diverte, esquece dos problemas e se apaixona pelo resultado final. Seja fotografado por alguém, se dê essa chance de ser olhado de ângulos que você não consegue se ver, e descubra que você nem tem tanto medo assim da câmera. 



E posso dizer que a experiência pode ser melhor ainda se você não for a pessoa que editar essas fotos, se entregue nas mãos de alguém e deixe a pessoa fazer a leitura que ela tem de você. Coloque uma roupa confortável que diz mais por você sem dizer uma palavra, e se solte. Essa foto acima tem tanto de mim que me sinto um livro aberto: vestido rodado, Converse, câmera, cabelo colorido e pernas tortas. Prazer.



A foto não precisa ser perfeita e mais uma vez eu bato na tecla do "seja você", alguém de quem você se orgulha hoje, alguém de quem seu eu do passado se orgulharia, alguém de quem seu eu do futuro, ao olhar para trás, vai se orgulhar. A Ludimila de dez anos atrás jamais imaginaria uma coisa dessas por mais que ela fantasiasse ser uma cantora pop da Disney, ela abstraiu o fato de que cantoras pop são fotografadas por aí. Mas hoje se sente além de uma cantora pop que é "Miley na escola de dia, Hannah à noite no show", genuinamente, ela mesma.



Por mais que às vezes eu tente ser a pessoa que sai de madrugada, vira a noite em balada, bebe pra caramba, fala de sexo ou usa drogas, eu não sou essa pessoa. Eu passo serenidade, paz de espírito. Não consigo ficar perto dessas pessoas porque suas energias são muito pesadas. Eu acredito em energias. Esse azul nunca fez tanto sentido. Eu gosto de passar tranquilidade, ser um porto seguro, e não uma ponte que pode ruir a qualquer momento. Essa sou eu. 

E ser eu é melhor coisa que eu posso ser. Até mais, e obrigada pelos peixes.

Paranoia


É tudo coisa da sua cabeça. 

É tudo coisa da sua cabeça. 

É preciso ficar repetindo isso várias e várias vezes para evitar uma paranoia que é capaz de destruir qualquer relacionamento, seja de amizade ou amor. Depois que passa você nem se lembra mais do que se trata. 

Uma palavra vira gatilho e a reação exagerada gera um transtorno desnecessário. Aquela sensação de abandono era coisa da sua cabeça, não tinha ninguém sendo ignorado, não tinha ninguém se afastando, mas sua mente fez acreditar que você estava sozinho. 

E isso não era verdade. 

Todos os sinais diziam que não se importava, mas eram sinais errôneos, quem não se importa vai embora na primeira oportunidade. 

Era tudo coisa da sua cabeça. 

Algum tipo de medo que bloqueia seus pensamentos racionais. Você sabe que seu lado racional está lá, e quer falar, mas seu lado emocional não deixa, o lado emocional grita enquanto o racional fala baixo, é uma voz quase inaudível que você tem de se esforçar para ouvir. Aos poucos você vai conseguindo, e vê que estava tudo na sua cabeça. Você muda sua perspectiva e vê de fora para dentro, vê tudo o que te fez acreditar que era verdade indo embora com um simples gesto. Você quer descobrir de onde vem tanta paranoia, quer saber por qual motivo suas reações são assim, tão dramáticas, quando não tem ninguém fazendo nada de errado. 

Era simplesmente coisa da sua cabeça.

Não dá para deixar a mente ser um balão que cheio de pensamentos atropelados vai crescendo, crescendo e crescendo. Os balões quando crescem demais, explodem.


Nostalgia x Vontade de se reinventar


Em 2013, quando decidi voltar a blogar, eu criei um site no Wordpress com o nome de Little Lud World, eu nunca o usei, pra nada. Então em 2014 voltei de vez e invés de usar o LLW, criei outro lá e fiquei um ano como Astigmatismus, mas em uma das crises larguei tudo pra voltar a ser Blogger. Me sinto em uma discussão comigo mesma:

Android x iOS
Canon x Nikon
Doce x Salgado

Não consigo desapegar do LLW, por mais que ele não tenha significado nada pra mim. Ele é só mais um blog ocupando espaço na internet, sem nem uma vírgula escrita. Deletei todos os meus outros blogs do Blogger, menos o que criei na adolescência. Deletei todos os meus tumblrs, deixei só o que criei em 2011, ele fez aniversário esses dias. O que parece é que um dia vou voltar pro Wordpress ou sei lá. Não sei se o que me incomoda é o nome, o nome ser em inglês, soar estranho, parecer blog de viagem, sei lá. Mas ele está lá, pelado, e isso me incomoda. Toda vez que tendo deleta-lo, eu fecho a página. 

Eu podia ter usado ele como portfólio também, mas o nome é difícil para as pessoas entenderem. Eu deveria ter mantido meu domínio? Talvez não, as pessoas erram meu nome com facilidade, só Lu é mais fácil. Aliás, me auto denominar Lu Ferreira me incomoda apesar desse ser meu nome de verdade, por motivos de outras Lus por aí, mas daí isso eu ignorei, foi um incômodo ridículo, afinal, não escolhi meu próprio nome há 22 anos e meio. 

Eu mesma já escrevi um texto sobre desapegar de blogs que não usamos mais, mas somos seres humanos cabeça dura e não seguimos nossos próprios conselhos quase nunca.

Eu já não tenho problema de escrever sobre tudo aqui, claro que escrevo de forma fragmentada, as vezes metaforicamente, então só mantenho meu primeiro filho pelos textos antigos mesmo, já os outros, que não tem nada, não faz sentido. Eu preciso é criar coragem (e vergonha na cara) para clicar em "excluir blog" e só

No fim das contas estou pensando seriamente em largar o iOS quando for trocar de telefone, comprei uma Olympus e gosto de pizza de chocolate.

PS: dessa vez eu consegui clicar em "excluir blog". 


Qual meu propósito?


A Licenciatura me fez aplaudir o sol reflexiva.

Desde que comecei a faculdade, e tem menos de seis meses, veja bem, eu não paro de pensar na vida, por que estou aqui, o que tenho que fazer para mudar o mundo nem que seja um pouquinho. E é uma coisa muito louca porque há cinco anos eu nunca imaginaria que eu estivesse hoje fazendo um curso de Licenciatura e que daqui uns três anos eu vou estar dando aula. Ou tentando emprego para dar aula enfim, são tempos difíceis para os professores desde que eles começaram a existir não é mesmo?

Mas por que ser professora? 

Essa é uma história que só foi contada uma vez. Certa vez, na rua, eu devia ter uns 11 anos, era bem criança, passou uma menininha por mim, não lembro se ela falou comigo, se era da rua, mas ela estava bem sujinha, só me lembro perfeitamente do rosto dela e do sorriso, de pensar comigo que eu queria mudar aquela realidade um dia.

Por que fiz as escolhas que fiz até chegar aqui? Por que me enfiei em uma Licenciatura se nunca fui a pessoa que disse "quando eu crescer quero ser professora"? É isso, o poder que um professor tem de mudar uma vida é lindo. Quero tocar a vida de alguém e acho que é por isso que nunca parei de escrever.