Uma palavrinha sobre os últimos tempos
11:29
Desde os primeiros dias do ano as coisas pareciam bem encaminhadas, eu ia fazendo uma coisa de cada vez, eu ia vivendo, calma como um rio, as coisas iam fluindo. Mas aí chegou setembro. Já na primeira semana de setembro tive um ataque de nervos, e achei que ele havia passado, mas ele voltou, e então quando tudo parecia ajeitado, eu desabei pra valer no primeiro dia do mês. Quis fugir, me esconder, só queria dormir pra ver se esquecia tudo, mas eu não podia fazer nada disso, eu tinha responsabilidades com as quais lidar e queria mais que tudo voltar a sorrir e voltar a ficar leve. Desabafei, desabafei pra caramba, chorei tudo o que tinha para chorar em dois dias inteiros, cheguei em casa destruída, e aos poucos parece que o fogo foi diminuindo e só ficou a poeira suja do incêndio.
Era assim que estava me sentindo. Depois de tanto choro soluçado, dor no peito, nas costas e nos olhos, uma noite que conseguiu me alegrar de verdade e uma boa noite de sono depois de muito tempo, acordei, posso falar sinceramente dessa vez, acordei bem, e acordei para vida, finalmente. Às vezes essa história de ser "adulto" é assustadora, mas já chegou, tá aqui, e preciso encarar e lidar como gente grande. Não é de hoje que estou tentando parar de sofrer por antecipação, tenho certeza que não será agora que vou parar - de vez, mas quero parar, preciso parar, isso faz mal, muito mal. A dor que estava sentindo dentro de mim foi assustadora, mas não quero mais ter medo da dor.
O que não te mata, te deixa mais forte.
Não vou deixar meu cérebro ansioso estragar a maravilhosidade que tem sido esse ano de 2016. Dois mil e dezesseis seja, sabe? Tá sendo. E eu mesma não vou deixar que eu estrague isso.
Que dia é hoje? Hoje é o dia em que parei, respirei, olhei em volta e dei uma espiada lá atrás. Chega de sofrer pelo leite que nem ferveu ainda, menina. Sai dessa. E respira.




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