Como eu descobri quem eu sou (e continuo descobrindo)

09:00

Nunca me considerei uma pessoa com estilo. Na minha cabeça adolescente não ter estilo era o meu estilo, pois apesar de estar bem parecida com o resto, eu não era parecida com minhas amigas da época - nem queria ser. All Star Converse, preto, camisetas e jeans alimentaram meu guarda-roupa por anos e anos até que eu parasse para pensar nas coisas que eu gostava e queria/podia transmitir através das roupas. Eu sempre quis ser invisível. E funcionou enquanto eu quis que funcionasse. Porém chegou um ponto em que eu não estava mais feliz dentro daqueles panos, não me reconhecia mais, queria tirar o uniforme, e foi com a ajuda de algumas pessoas reais e da internet que eu cheguei aonde estou hoje e continuo aos poucos construindo a pessoa que verdadeiramente sou externamente. 
Eu descobri o que queria quando vi minha blusa de poás pela primeira vez, quando ela nem era minha ainda. Eu queria usar uma blusa de poás com alça de crochê e um laço amarrado na frente. Aquela era eu, era a pessoa que eu me descobria ser. Aqui preciso abrir um parêntese e dizer que sempre me vesti como "menino", jamais dei bola para a minha imagem até então. Havia chegado em um ponto que não estava mais me encontrando naquelas roupas maiores que eu, sem corte. E então quando olhei para a blusa de poás me apaixonei instantaneamente. 

"Você deve se atrair por peças de roupa, e não apenas achá-las bonitas." 
- Mari Santarem (Viiixxxen)

Eu acho as roupas da Zooey Deschanel bonitas, mas não usaria todas elas, sabe? Esse tipo de coisa. Mas o monstrinho da insegurança ainda falava no meu ouvido e ele dizia "o que as pessoas vão achar?"; "tem um laço na frente"; "têm bolinhas"; "parece roupa de grávida"; mas foi só eu vesti-la pela primeira vez que ele se calou quase completamente. Se você está se perguntando que blusa é essa, é essa aqui.

Quando a gente se encontra na gente é maravilhoso! Veio a blusa e então veio outra, minha primeira sapatilha, outras blusas, bolsas. Comecei a prestar atenção nos detalhes, uma renda, um bordado, um carinho a mais. Passei a me sentir bem nas minhas roupas e já não me sentia uma cópia do restante da humanidade. Não era forçado, simplesmente era eu. Troquei quantidade por qualidade. No meio dessa mutação constante encontrei um lugar onde sou feliz plenamente comigo e com a minha imagem.
Sabe aquela história de zona de conforto? Eu estava em uma, saí e entrei em outra - isso não quer dizer que parei por aqui, o tempo todo, mesmo inconscientemente, mudamos nem que seja um pouquinho nossa forma de pensar e com o tempo isso vai influenciando na nossa forma de agir, ser e até vestir. As roupas para mim deixaram de ser um pedaço de pano, agora elas são divertidas, são parte de quem eu sou. E confesso, esse próprio post demorou mais que quero admitir para sair, e já estava praticamente pronto! Eu me sentia insegura para falar sobre isso, para falar sobre esse lado tão importante de mim. Eu amo coisas fofas! Por que era tão difícil de admitir? Essa é uma pergunta que eu talvez nunca consiga responder.


 Se organizar, todo mundo bloga

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