E da próxima vez, vá buzinar para a sua avó
00:26Eu tenho medo de sair sozinha à noite, eu tenho medo de voltar para casa depois das dez, eu tenho medo de usar saias no ônibus, eu tenho medo! E não é medo de ser assaltada, é medo de ser estuprada. Levem tudo que eu tenho mas deixem meu corpo em paz. Eu ando um quarteirão para chegar em casa, com a luz do poste queimada e torcendo pra não ter ninguém nos vãos das casas ou na esquina me esperando. Eu gasto menos de três minutos, sendo que normalmente em passadas normais, eu demoraria no mínimo, cinco. Porque eu tenho medo. Eu tive medo quando tentei alertar uma moça que ela estava tentando ser assaltada. Eu tenho medo de ir em festas muito cheias, e alguém achar que eu bebi demais. Eu tenho que pensar nas roupas que vou usar nessas festas, vai que um engraçadinho tenta se aproveitar, não é mesmo? Quando vejo uma construção, atravesso a rua. É como se estivéssemos vivendo em uma selva e os homens fossem os animais selvagens.
Será que é tão difícil assim ignorar o corpo do outro? Ignorar a vida do outro? Eu poderia me estender mais, mas não vale a pena. Eu só estaria me tornando repetitiva. O tempo todo o que eu vejo são mulheres tornando-se objetos dos homens, nós pagamos menos para que eles tenham um grande cardápio para caçar, nenhum homem nunca teve de justificar o porquê ou o tamanho dos shorts, nenhum homem nunca teve de cobrir as pernas por estar mostrando os peitos ou vice-versa. Não importa nosso tamanho, cor ou classe, estamos sujeitas a abordagens inconvenientes na rua simplesmente por sermos mulheres. O tempo todo um bando de homens está lá para encarar quem quer que você seja. Mas não encarar com educação, eles simplesmente te comem com os olhos. Não estamos a salvo em lugar algum. Tudo por ser mulher.
-e da próxima vez, nem buzine-



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