Saga do Assassino [#1]: O Aprendiz de Assassino (Robin Hobb)

10:00

O Aprendiz de Assassino vai contar a história de Fitz, o filho bastardo do Príncipe Herdeiro, que aos seis anos de idade é largado por seu avô materno aos cuidados do castelo. Ele não chega a conhecer o pai, Cavalaria, e fica aos cuidados de Bronco, o responsável pelos animais, até que um dia o rei Sagaz, seu avô, percebendo que o garoto pode ser uma ameaça para a coroa no futuro, decide trazê-lo para seu lado e torná-lo um homem do rei. Com isso Fitz é introduzido às boas maneiras, luta, e tudo mais que os de bom nascimento têm direito dentro da torre, mas além disso, ele também é transformado no assassino do rei, aprendendo a matar das mais diversas formas.

Começamos o livro com um Fitz ainda criança e vamos acompanhar seu crescimento durante a história que é narrada em primeira pessoa por ele mesmo, porém em forma de lembrança. Dá-se a entender que ele já é bem mais velho quando está contando essa história. Grande parte se passa em Torre do Cervo e na Cidade de Torre do Cervo, e no momento estamos passando por um mal momento onde salteadores estão atacando as regiões, sequestrando e Forjando habitantes. Torre do Cervo é a cidade principal dos Seis Ducados e é onde mora a realeza. Durante a história acompanhamos três faces do Fitz: o bastardo, o Novato e o assassino. Eventualmente ele desce para a cidade e lá faz alguns amigos que não sabem absolutamente nada sobre sua vida, que é onde eu acho que ele mais consegue ser ele mesmo, por mais que ele não possa contar detalhes de sua vida na Torre. E sua vida de assassino é conhecida aparentemente apenas pelo rei, seus dois filhos e seu professor, Breu, que para mim é um dos personagens mais legais do livro.

Durante a narrativa todos os personagens têm alguma razão e nenhum de seus diálogos é vazio. E todos são muito bem criados, você se importa com todos eles. Muita gente pode não gostar e achar cansativo, mas o livro é muito descritivo, uma coisa que eu gostei, pois as descrições me jogavam para dentro da história. A autora descreve de lugares à pessoas de forma que você consegue imaginá-los perfeitamente. E uma das coisas que eu mais gostei foi a forma como ela conseguiu narrar tão bem coisas tão triviais como o tempo.

Assisti ao nascer do sol através das árvores e tirei cochilos irregulares a manhã toda. A tarde me trouxe uma espécie de paz desgastada. Eu me distraí sondando ao redor a vida selvagem do monte. Ratos e pássaros eram pouco mais do que brilhantes faíscas de fome na minha mente, e os coelhos pouco mais do que isso, mas havia uma raposa no cio à procura de companheiro e, mais longe, um cervo batia a pele aveludada nos seus cornos com tanto propósito quanto um ferreiro na bigorna.

A magia nesse livro não foi explicada nem muito abordada a ponto de ser apresentada ao leitor formalmente, mas foi suficiente e espero que ela seja explorada no próximo. Aqui temos duas formas de magia: a Manha e o Talento. Bem parecidas entre si, a Manha é o poder de se comunicar mentalmente com os animais e o Talento é o poder de se comunicar, e não só comunicar, mas também influenciar, mentalmente as pessoas. A Manha não é bem vista, visto que para eles é como se você se transformasse em um animal ao ficar muito tempo em conexão com o mesmo, e o Talento é ensinado apenas a realeza, como se passasse de geração para geração. Fitz nasceu com o dom da Manha, mas Bronco o proíbe de usa-la, e mais para frente o Rei pede que Fitz seja introduzido no Talento.

Um ponto interessante a ser comentado, todos os personagens do livro têm nomes que direcionam a sua personalidade ou qualidade mais forte, ou simplesmente resume quem é aquela pessoa. Temos o rei Sagaz, seus filhos Cavalaria, Veracidade e Majestoso, a esposa de Cavalaria, Paciência, o professor de Fitz que o ensina a matar, Breu. Se você parar para analisar, consegue perceber porque tal personagem tem tal nome. Por exemplo Fitz, o bastardo, que segundo a nota do tradutor foi o único que manteve o original por não ter correspondente em português, nesse caso, valeu a pena traduzir os nomes próprios.

Cada capítulo começa com uma lenda daquele mundo e nos mostra um pouco de sua história, como se fosse um lugar real, vivo, com todos os seus mitos e tradições. Eu gostei bastante desse livro e estou doida para ler a continuação. 

ps.: o livro tem mapa.

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