O que eu quero deixar para trás

Meu bairro.

A vergonha de chegar e convidar uma pessoa que acho interessante para ser fotografada.

A procrastinação de coisas com prazo.

Faltando mais ou menos um mês e meio para o meu aniversário acabo de perceber quanta responsabilidade vem batendo na minha porta. Eu jurava que dos 23 para os 24 nada ia mudar, que meus compromissos iam continuar os mesmos, e de repente não posso mais usar três contas de e-mail ao mesmo tempo na mesma tela do Chrome. A diversão de repente se tornou aquele algo mais, mesmo continuando divertida pra caramba. Eu continuo com o cabelo cor de rosa, mas dessa vez sem vontade de cortar. Eu volto a usar tênis e Ludimila de três anos atrás deve pensar "todo aquele reboliço no guarda-roupa pra nada?".

Esse não era um texto sobre estar quase com 24 anos. Era sobre coisas que eu simplesmente quero deixar para trás, independente dos 24 anos só porque era lua minguante esses dias e comecei a pensar sobre isso. Mas se tornou uma coisa maior.

Eu não sei como quero comemorar esse ano, mas sei que quero comemorar. Não tenho mais Taylor Swift pra dançar como se tivesse 22 ou Blink-182 pra dizer que ninguém gosta de você quando se tem 23, me resta descobrir qual vai ser o ritual de passagem dessa vez. Mas não quero festa, bagunça ou aglomeração de gente mais ou menos conhecida.

Talvez o ideal seja passar comigo.

Mais reflexiva que o normal.

Se não fosse tão caro, pulando na cama de um hotel.

E agradecendo os últimos 24 anos, pois nunca foi tão bom ter quase 24.

Sou grata.

Os corvos de Morrigan

Estaria a Deusa tentando falar comigo? Deveria lançar o tarot? Vendo tantas coisas que ninguém parece ver. Há uma nova batalha me esperando, será Ela a me guiar? Eu que sempre pensei Atena como guerreira, uma deusa celta veio me iluminar.

Me sinto leve e pesada ao mesmo tempo. Me sinto a alcançar algo, não me sinto perdendo nada. Talvez esteja me livrando. Meu coração está pesado. Me sinto vivendo uma vida que não é minha. Me sinto numa batalha que parece não ter fim. Minha cabeça dói. Meus braços estão cansados, mas não penso em fugir. Vou continuar lutando. Só mais 25 meses. 24. E contando. 

Não tenho dúvidas de que Ela está falando comigo. De que veio me ajudar. Meu coração diz que é certo entrar em contato e eu vou, sem medo, sem pensar duas vezes. Talvez ela queira que eu aprenda a como ser como ela. Vitórias sim, mas sem não antes passar por uma dura batalha.

Sinto que Macha está tentando falar comigo. Foi ela quem me visitou em sonho. Na oração pedi para ver símbolos diversas vezes, vi tanto de Morrígan que agora não tenho certeza. A torre vermelha veio de quem? Elas são tão parecidas. São irmãs. Posso chamar de tia? Minha única certeza é de que faço parte dessa família.

Aceitei seu chamado, me conectei com você, senti sua presença, seu calor, me sinto forte pela primeira vez em muito tempo. Às vezes tudo o que precisamos é de uma oração sincera e o coração aberto para receber os ensinamentos necessários.

Obrigada.
Obrigada.
Obrigada.

Assim seja, assim se faça!

Morrigan, não consigo te ouvir! Diga! Mais alto! O que quer de mim?

Estude.
Estude.
Estude.

O livro está para chegar.

Repita o ritual, eu gostei, vou amar.

Dance, dance, pequeno corvo, abra as asas, é hora de voar!

Pensamentos sobre espiritualidade


Eu conheci a Wicca mais ou menos em 2014 e desde então eu adoro comemorar a passagem das estações e as fases da Lua. Faz com que eu me sinta mais conectada com a natureza, comigo mesma, exercita minha espiritualidade e simplesmente me faz bem. Aquela coisa de paz de espírito. Acabei ficando um tempo afastada da bruxaria, não sigo a Wicca por ela mesma, mas esse ano voltei e foi a melhor coisa que eu fiz, e ontem lembrei da minha mãe perguntando se eu não estava acendendo velas na antiga estante, bom eu não estava, só que ontem acendi uma e esqueci de tirá-la lá de cima e sabe o que ganhei? Uma linda queimadura na minha estante branca. Já diziam os antigos: nada de brincar com fogo.

Eu mesma não tenho uma conexão com o fogo, apesar de ser o elemento que rege meu signo. Sempre gostei do vento, dos Silfos, em 2014 foram eles que me mantiveram de pé nos momentos em que tudo o que eu queria fazer era fugir. Eu simplesmente ficava parada contra eles e deixava que eles me acalmassem a mente e o coração. Já as Salamandras me assustam, não conseguimos controla-las, elas tem seu próprio controle, que é fora de controle.

Minha única vontade de ir para a praia é me conectar com as Ondinas, sentar a beira da areia e deixar as ondas me banharem, lavarem meus pés. Eu já estive em água doce, mas não acho que seja a mesma coisa, no mar elas parecem mais fortes. E a terra, os Duendes, bom, ainda não tive a chance de realmente me conectar com eles, mas as árvores tem seu quê de especial, quando a tocamos elas conversam conosco.

Outra coisa que descobri esse ano foi o tarot e quanto eu gosto de jogar. Comecei o tarot para orientação espiritual pessoal, mas tive que parar, porém logo voltarei as cartas. E é estranho estar falando disso tão abertamente no blog, não é como se eu tivesse vergonha, ou medo, só é diferente. Não fosse o acidente talvez eu nem estivesse aqui comentando sobre isso. Acho que o que pode ser tirado desse texto é que não importa em que força maior você acredita, se ela lhe trás paz, isso é o que importa.