Crônica: Brincar de bola
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A
meninada da rua brincava todos os dias e iam de Adoleta para Amarelinha tão
rápido quanto o vento. Antes e depois da escola se reuniam para jogar o que lhe
dessem na telha e só voltavam para casa quando o sol estava se pondo e as mães
gritavam que era hora do jantar. A arte do brincar estava intricada em cada um,
de tempos em tempos os jogos mudavam e com cada jogo aprendiam uma coisa nova.
Porém a brincadeira preferida de todos era de longe a bola.
Para
quem quer que se pergunte a resposta era sempre a mesma: jogar bola. Para
alguns a Adoleta era coisa de menina, Amarelinha “coisa de criança”, mas a bola
era unânime, todo mundo brincava e rolava, e revezavam uma hora no gol – feito
de chinelas velhas, outra hora na linha correndo pra lá e pra cá tentando
roubar a bola do colega. Nas férias então se juntavam todos os primos e primas,
se separavam times para jogar contra a turma da rua de baixo e as ruas da
cidade se enchiam de cores com a alegria das crianças.
Elas
não tinham medo de se sujar ou machucar, não importava cor ou gênero, todos iam
sagazes atrás do mesmo objetivo, com a essência de ser criança viva em seus
corações. Foi jogando bola que aprenderam o que competitividade e trabalho e em
equipe, e que nem sempre se ganha.
Essas
crianças já viraram adultas e alguns já têm filhos, e seus filhos são as novas
crianças que apesar de pouco ainda vão para a rua, se sujar, chutar bola,
aprender e, claro, ser criança.


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