Fotografando
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Descobrir quem é você quando se trata de fotografar não é tarefa fácil. Fazendo um trabalho do meu curso descobri o que eu já sabia: fotografia publicitária é da hora, mas não é minha. Descobri saindo pra rua que gosto de olhar a rua e estar na rua, mas não gosto de fotografar a rua – e não foi por falta de tentativa. E outra, jamais serviria para o fotojornalismo, não tenho estômago. Descobri que apesar de não saber lidar com gente, eu gosto de fotografar gente. Ironias da vida. Mas não gente de revista, gente famosa, modelos, gente que tá sempre ali, na frente da lente, gosto de fotografar gente como a gente. Gente como eu que não sabe lidar com gente, nem com a lente apontada direto pra mim. Gente como minha mãe, meu irmão, meu namorado. Gente como eu já fotografei, que só querem que eu transforme seus momentos em memórias que durarão uma eternidade. Gente tímida, gente mais solta, gente te todos os tipos. E eu demorei a perceber isso. Teve uma vez que até invoquei de fotografar comida, mas prefiro come-las. Passei uma vida falando que odiava gente sendo que na verdade eu não as compreendia. Cada pessoa tem sua história e dentro dela suas facetas, e era dessas histórias que meu coração falava o tempo todo. “Conte histórias a eles. É só contar-lhes as histórias.”. Eu quero contar a história de cada pessoa retratada pelas minhas lentes de forma doce e suave. Cada detalhe. Quero transmitir apenas a verdade que meu protagonista deseja compartilhar. Quero transformar sonhos em realidade. Quero fazer parte, de alguma forma, desses sonhos. Não nasci para ser a Cinderela e sim sua fada madrinha e a câmera é minha varinha de condão – só que não precisamos voltar pra casa antes da meia noite.



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