Algo assim, não sei

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Passo a semana pensando em sexta-feira quando é a certeza que vou te ver. Encaro o mesmo elevador todos os dias, acompanhada das mesmas pessoas, pensando apenas em você e em quando poderei te ver de novo. Você é o personagem principal de todos os meus pensamentos, da manhã até a noite. São seus olhos que os meus procuram nos momentos de sanidade, e é nos seus olhos que eu encontro alento e compaixão. Com paixão eu beijo teus lábios sempre como se fosse a última vez, mesmo sabendo que você sempre volta, mesmo sabendo que não importa quantas vezes eu parta, eu sempre volto, mesmo sabendo que um dia nenhum dos dois terá que partir. E então eu procuro suas mãos debaixo da coberta gelada, pois elas me esquentam. E seguro firme mesmo sabendo que você não vai a lugar algum. Seu cheiro vai me consumindo aos poucos, eu começo a acompanhar sua respiração e me deixo cair no sono nos seus braços, lugar de onde nunca queria ter saído. Visto cada uma das camisas que você deixou para trás sentindo o tecido tocar minha pele como você toca. Meu desejo é dormir com elas, mas amassaria o pano, e correria o risco do seu cheiro ir embora. Mas compensa virar você por uma ou duas noites, sentindo suas camisetas me abraçarem como você me abraça. E de bônus ter você ali, me abraçando de verdade. E mais uma vez eu acordo antes de você e fico te desenhando enquanto ainda dorme profundamente, respirando calmamente, e como um passe de mágica você abre os olhos e sorri, como se estivesse me esperando acordar o tempo todo. Mas não é nada disso que me faz querer um lugar só nosso, e sim o cotidiano da vida, os detalhes, cada um deles, cada dia mais visíveis aos meus olhos e invisíveis ao resto da humanidade. 

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